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01 de fevereiro de 2023

Ano judiciário é aberto com atenção do STF à estabilidade democrática

Ano judiciário é aberto com atenção do STF à estabilidade democrática

O ano judiciário começa nesta quarta-feira (1º/2) com a volta das atividades do Supremo Tribunal Federal. A ocasião ganha especial relevância após os ataques de 8 de janeiro, que tiveram a sede do STF como um de seus alvos. A retomada da rotina é importante sinal da normalidade institucional. Na corte, a sessão solene de abertura do ano judiciário começou com a exibição de um vídeo produzido pela TV Justiça alusivo aos ataques e denominado “Democracia inabalada”. Na mesa principal a cerimônia contou com as presenças da ministra Rosa Weber, presidente do STF; do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco; do Procurador Geral da República, Augusto Aras; e do presidente nacional da OAB, Beto Simonetti.

“Neste plenário totalmente reconstituído após a invasão criminosa de 8 de janeiro, por uma turba insana movida pelo ódio e pela irracionalidade, reafirmo minha profissão de fé como juíza e a ela acresço, em reforço, o que erigi como norte da atual a administração desta casa: a proteção do regime constitucional e da integridade do regime democrático. Ou mais simplesmente: a defesa diuturna e intransigente da Constituição e do Estado Democrático de Direito”, declarou a ministra Rosa Weber, destacando ainda o fato de a instituição permanecer incólume em seu mister de dizer e efetivar o Direito, viabilizando a vida em sociedade.

Vozes

“Trago a esta sessão a saudação de mais de 1,3 milhão de vozes, que são das advogadas e dos advogados deste país. Zelamos pelas liberdades e pelas garantias individuais, como a ampla defesa e o acesso à Justiça, que são primados do Estado Democrático de Direito. A defesa desses valores nos motiva a atuar contra os atos violentos e antidemocráticos que tentaram enfraquecer as instituições da República e a Constituição Federal. Dizemos sim às divergências e ao debate de ideias; dizemos não à depredação, à ameaça e à tentativa de colocar fim à democracia”, disse, sob aplausos, o presidente Beto Simonetti. Em seguida, ele leu o manifesto em apoio à democracia apoiado por mais de 300 entidades brasileiras (confira aqui). A ministra Rosa Weber aproveitou o ensejo para agradecer às centenas de autoridades apoiadoras.

“É fundamental que seja mantida a ordem constitucional. A correta atuação do Poder Judiciário, sem faltas nem excessos, é parte disso”, observa a presidente da OAB Paraná, Marilena Winter. No próprio dia dos ataques a OAB emitiu nota pública (leia neste link) condenando a depredação física e sobretudo, a tentativa de enfraquecimento dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e da Constituição Federal, pilares do mais longevo período democrático da história brasileira. A OAB destacou ainda que as liberdades de expressão e manifestação, protegidas pela Constituição Federal, não incluem permissão para ações violentas nem para atentados contra o Estado Democrático de Direito.

“Tais atos devem ser repelidos pelas forças de segurança de acordo com as disposições legais. É hora de encerrar de uma vez por todas os intentos contra o Estado Democrático de Direito no país. Somente assim será possível buscar a pacificação necessária ao Brasil. Para isso, é preciso que os artífices dos levantes golpistas sejam identificados e punidos, sempre tendo acesso ao devido processo, à ampla defesa e ao contraditório”, diz um trecho da nota veiculada no dia 8.

Para a presidente da OAB Paraná, um ponto importante a ser administrado pelo STF refere-se aos inquéritos abertos desde 2019. “A OAB vem defendendo de forma efetiva a garantia das prerrogativas da advocacia. Dentre os aspectos que se necessitam avaliados estão os limites de atuação monocrática e o limite de duração dos procedimentos. Temas que sabemos complexos, mas que se espera sejam enfrentados. Em que pese terem sido identificadas ameaças — lamentavelmente, concretizadas — que acabaram por confirmar a necessidade da pronta defesa do Estado Democrático, esses inquéritos, além das garantias processuais já mencionadas, precisam ter prazo para encerrar. Isso contribuirá para o retorno à normalidade”, observa Marilena Winter.

Agenda

Os episódios de 8 de janeiro levaram a presidente do STF, ministra Rosa Weber, a optar por uma pauta mais enxuta (veja quadro abaixo), de modo a não sobrecarregar a agenda da corte no momento em que a atenção dos ministros também precisa se voltar para o monitoramento da normalidade democrática.

 

— Leia também o artigo “O inquérito do fim do mundo”, publicado em agosto de 2020 por Cássio Telles, então presidente da OAB Paraná.

 

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