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01 de agosto de 2026

Carta Brasil 2026 consagra direitos fundamentais em documento histórico assinado em Curitiba

Carta Brasil 2026 consagra direitos fundamentais em documento histórico assinado em Curitiba

Foi publicada na última quinta-feira (31), em Curitiba, a Carta Brasil 2026 de Direitos Fundamentais, documento que parte de uma constatação direta: por mais que a Constituição de 1988 tenha consagrado um extenso rol de direitos e garantias, a distância entre o que está escrito e o que se vive no cotidiano do país continua expressiva. É justamente essa distância que o texto se propõe a enfrentar. O documento é fruto do 1º Encontro Brasileiro de Direitos Fundamentais, realizado nos dias 30 e 31 de julho sob o tema “Percepções da realidade nas duas últimas décadas: Vida, Liberdade e Propriedade”, que reuniu operadores do direito, professores, estudiosos, representantes de entidades de classe e cientistas sociais de todo o país. A carta em 47 proposições o os avanços e os desafios da efetivação dos direitos humanos fundamentais no Brasil contemporâneo.

O texto parte de uma leitura histórica da trajetória constitucional brasileira, lembrando que a evolução dos direitos fundamentais no país foi marcada por retrocessos, desde a aceitação da escravidão no século XIX aos regimes autoritários de 1937 e 1964. É diante desse passado que a carta situa o valor da Constituição de 1988, ao mesmo tempo em que alerta para a distância entre o texto normativo e a realidade fática. Como registram seus autores, a permanência de encontros como este se justifica justamente porque “ainda falta muito” a conquistar no campo prático dos direitos já proclamados no papel.

Entre os temas tratados, a carta dedica atenção especial à segurança pública e ao sistema penal, rejeitando o que classifica como uso político-eleitoral do endurecimento penal. O documento é incisivo ao afirmar que “o endurecimento das leis penais e o agravamento dos suplícios na execução da pena configuram um direito penal do terror, que fabrica injustiças e não tranquiliza a população”. A partir dessa premissa, a Carta reafirma garantias como a presunção de inocência e repudia penas de caráter perpétuo e a redução da maioridade penal.

O documento também avança sobre temas contemporâneos, como a regulação da inteligência artificial, ao defendender transparência algorítmica e vedação a decisões automatizadas sem revisão humana. Também recebem foco a proteção de grupos vulneráveis, a violência de gênero e o reconhecimento do direito animal como direito fundamental de quarta dimensão. Um título é reservado às prerrogativas da advocacia, da Defensoria Pública, da Magistratura e do Ministério Público, tratadas não como privilégios de classe, mas como garantias da independência técnica das funções essenciais à Justiça.

Um dos trechos mais contundentes da carta é dirigido aos discursos que associam democracia a estagnação moral. Os signatários rebatem: “a democracia não foi a causa da estagnação moral e da corrupção, ao contrário, foi justo ela que assegurou o que há de direitos humanos hoje no mundo”. Na mesma linha, o documento amplia o conceito de paz para além da ausência de guerra, ao proclamar que “a paz tem de traduzir-se em condições que garantam a todos e cada um de nós uma vida digna, nomeadamente o direito dos trabalhadores a viverem dignamente com o fruto do seu trabalho”.

A Carta Brasil 2026 foi assinada por Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, presidente da Comissão Científica, e Elias Mattar Assad, relator, além dos integrantes da Comissão de Redação. O documento também instituiu a criação da Universidade Aberta dos Direitos Humanos e já define a continuidade do debate: o próximo Encontro Brasileiro de Direitos Fundamentais está marcado para São Paulo, em meados de 2028, reafirmando o compromisso de reavaliação permanente da efetividade dos direitos fundamentais no país.

Confira a íntegra do documento

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