
Agosto é tempo de celebrar a advocacia. E também de refletir sobre a profissão. Para tanto, a literatura oferece variadas perspectivas sobre o universo da justiça e do direito. Confira cinco clássicos que abordam o tema.
O clássico russo tem como personagem central um estudante que, vivendo na miséria, mata uma velha agiota. Ele acredita ser moralmente superior e justifica o assassinato citando grandes figuras da história que cometeram assassinatos e são considerados heróis, como Napoleão. Existe justificativa moral para um crime contra a vida? Eis a questão central da obra.
No livro autobiográfico, Graciliano Ramos relata as agruras da vida no Presídio de Ilha Grande, ao qual foi levado sem julgamento em 1936, durante a era Vargas, sob a acusação de ser ligado como Partido Comunista. O relato critica a ditadura vigente e o sistema carcerário, além de apontar a degradação da dignidade humana na prisão.
Ao receber a notícia de que será preso sem saber o porquê, o personagem central sai em busca de respostas consultando um advogado, integrantes do Judiciário e até um vizinho. As situações absurdas foram retratadas pelo autor como crítica ao arbítrio e outras limitações do Estado de Direito, especialmente no diz respeito ao sistema judiciário.
O romance ficcional é narrado por uma criança que vive no Alabama, sul dos Estados Unidos, no período da Grande Depressão. Seu pai é um advogado que defende um trabalhador negro acusado de estuprar uma mulher branca. A narrativa levanta reflexões sobre problemas como racismo, segregação racial e intolerância, presentes ainda hoje.
A comédia retrata as aventuras de João Grilo e Chicó. Em vida, eles vivem de pequenos golpes para enfrentar a vida no sertão nordestino. No juízo final, João Grilo é julgado por suas faltas, tendo o diabo na acusação e Jesus na defesa. A alegoria de Suassuna destaca a misericórdia divina e aponta a hipocrisia dos que julgam terceiros enquanto cometem outros erros.