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28 de novembro de 2024

OAB Paraná desenvolve projeto de leitura para mulheres sob custódia no Complexo Médico Penal

OAB Paraná desenvolve projeto de leitura para mulheres sob custódia no Complexo Médico Penal

O projeto de rodas de leitura Ler Juntas, realizado pelas Comissões de Assuntos Culturais e de Defesa dos Direitos Humanos da OAB Paraná, teve o seu segundo encontro na tarde desta quarta-feira (27/11), na ala feminina do Complexo Médico Penal, em Pinhais. O projeto está sendo desenvolvido pela seccional depois das vistorias feitas no sistema penitenciário pela CDDH, que apontaram a carência de atividades culturais e integrativas para o grupo de mulheres sob custódia naquela unidade.

Os encontros se dão a cada duas semanas, às quartas-feiras, tendo como mediadoras a advogada Adelaide Strapasson e a consultora da Comissão de Assuntos Culturais, Maria Ângela Marques. Ambas aproveitaram a paixão pela literatura para se voluntariar para o projeto. A intenção é colaborar com a oferta e o incentivo de práticas socioeducativas e de ressocialização por meio do acesso à leitura em unidades prisionais.

“Recebemos relatos da falta de atividades durante a permanência nos cubículos e apelos no sentido de propormos alguma ação. Em conversa com a professora Maria Ângela, doutora em Direito, que coordena uma atividade similar no Museu Alfredo Andersen, e com Adelaide Strapasson, que faz parte do grupo Lendo Juntos, da CAAPR, desenvolvemos o projeto. Apresentamos ao diretor do Complexo Médico Penal, que prontamente proporcionou as condições para a implementação”, conta a presidente da OAB Paraná, Marilena Winter.

Interação

Por participação espontânea, um grupo de sete custodiadas acompanhou a atividade desta semana, voltada à leitura do conto A Moça Tecelã, de Marina Colasanti. O texto faz alusão à capacidade da personagem de tecer a sua própria história. Cópias do conto foram distribuídas às participantes que, após a leitura, com a interação das mediadoras, trocaram ideias sobre o texto.

“Não basta à OAB como instituição apontar os defeitos e as melhorias possíveis, mas oferecer alternativas que humanizem e tirem o aspecto brutal do encarceramento. E a literatura é um caminho possível e muito simples, com potencial para se multiplicar”, destaca Maria Ângela.

A receptividade foi positiva e as participantes, que contam com uma biblioteca no complexo, aderiram à iniciativa. Uma delas, Márcia, que participou da roda de leitura pela segunda vez, agradeceu a dedicação das mediadoras para a atividade. “Quero agradecer por dedicarem o tempo de vocês. Para nós é muito bom pensar em outras coisas”, afirmou.

“Essas mulheres não têm a liberdade física, mas podem ter a liberdade da imaginação. Elas podem, através da literatura, viajar, imaginar, sonhar, para que quando saírem dali tenham um repertório diferente daquele de quando entraram”, explica Adelaide Strapasson.

Conhecimento

O projeto foi apresentado pela presidente Marilena Winter, pelo presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Anderson Rodrigues Ferreira, e integrantes das comissões ao diretor do CMP, René Maciel Wecoski Fernandez, durante uma reunião no Complexo Médico Penal, no dia 30 de outubro. “Esse projeto é muito importante para nós, posto que dá uma ocupação para as custodiadas e possibilita que elas agreguem conhecimento cultural. Esse despertar para o conhecimento, nas mulheres que estão aqui, é algo essencial”, disse o diretor.

Em duas semanas após a reunião, já foi realizado o primeiro encontro, no dia 13 de novembro, com a leitura de um texto da escritora Conceição Evaristo.

Marilena Winter diz que o objetivo é ampliar a periodicidade e estender as rodas de leitura para outras unidades prisionais. “Acredito que esse programa tem um bom potencial para ser ampliado, envolver outras unidades e mais pessoas interessadas em contribuir, afinal a leitura é parte do cotidiano de um advogado. A ideia inicial seria criar uma curadoria de textos e até uma oficina para formação de mediadores de leitura. Levar não apenas distração, mas também cultura e dignidade às pessoas em situação de encarceramento”, completou a presidente da OAB Paraná.

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