
O presidente da OAB Paraná, Luiz Fernando Casagrande Pereira, concedeu entrevista ao jornal Tribuna do Paraná, publicada em 3 de outubro, Pereira tratou de temas sensíveis do cenário institucional brasileiro, como a polarização política, a relação entre o Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a confiança da população nas instituições.
Polarização e diálogo

Questionado sobre o clima do processo eleitoral no Paraná, o presidente afirmou que a polarização, por si só, não é o problema. Ele lembrou que os americanos convivem com a política polarizada há 200 anos. Para ele, o problema está em um cenário em que os lados se tornam incapazes de dialogar. “Aqui nós temos duas torcidas que têm uma pré-concepção do mundo, incapazes de dialogar com quem pensa diferente, e tratam todo mundo como adversário e inimigo. Isso é ruim”, disse.
Pereira recordou que, no período em que PSDB e PT polarizavam a disputa nacional, havia diálogo inteligente e avanço em pautas comuns, o que, na avaliação dele, não ocorre mais. Segundo o presidente, quando cada lado se vê como “titular da verdade suprema”, fica inviável avançar em reformas incrementais que aos poucos se tornam consensuais.
Como exemplo, citou a regulação das redes sociais, tratada por um lado como “PEC da Censura” e pelo outro como “PL das Fake News”. Para ele, se os dois lados sentassem à mesa e lessem o projeto, poderiam chegar à mesma conclusão em vários temas. O presidente também avaliou que o Congresso vem perdendo qualidade ao ser ocupado por extremos que se enxergam como inimigos, e não apenas como diferentes.
Advogados na política
Outro ponto abordado foi a participação de advogados nas eleições deste ano. O Paraná tem 115 candidatos com formação em Direito, o segundo maior grupo profissional entre os concorrentes, atrás apenas dos empresários.
Questionado sobre a preparação e a competência da categoria para o exercício de mandatos, o presidente destacou a afinidade entre a formação jurídica e a atividade legislativa. “Os advogados são parlamentares formados no seu curso de origem, porque os parlamentares, senadores e deputados, são fabricantes de leis. Nada melhor para isso do que um curso de Direito”, afirmou.
Ele ressalvou que não tem uma visão elitista do tema, já que o advogado não é o único vocacionado para a função, mas lembrou que nenhum parlamento do mundo deixa de ter, em sua composição, uma boa dose de integrantes com formação jurídica. “No Brasil não é diferente. Então, esse é um bom número”, completou.